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Resumo do Projeto Jovem

O processo visa a reintegração social de jovens dependentes de álcool e outras drogas com as seguintes características:

      • Sexo masculino.
      • Faixa etária entre 14 e 18 anos.
      • Estado de dependência química.
      • Não apenados pelo Poder Judiciário.
      • Preferencialmente, possuir núcleo familiar.

Etapas:

Motivação – o que é o plano de vida ou sonho que pode motivar cada residente.

Capacitação – uma vez que temos uma idéia das capacidades e
interesses do residente, elaboramos um plano de atividades terapêuticas e
escolares individual.

Oportunidade – a partir da chegada do residente ao centro de tratamento, procuramos identificar oportunidades correspondentes ao seus interesses no plano de vida.

Cronologia:

Triagem Seleção começa com a determinação da possibilidade de uma inserção viável.

Residência – De 1 até 3 meses internados – Baseado no Modelo Vila Serena: direcionado à desintoxicação, história de vida, grupos, dinâmicas, palestras etc.

Transição – Fortalecimento do plano de vida: ações individualizadas.

Inserção – De 3 até 24 meses - efetivação da perspectiva de futuro: estágios em empresas, cursos profissionalizantes, educação formal e recursos da comunidade.

Teoria e técnicas:

  • Esse processo pode ser caracterizado como hermenêutica-cognitivo ou em termos mais simples, contar e ouvir estórias de outos dependentes.

Diferencial do Projeto Jovem e Tratamento tradicional: 

  • Tratamento tradicional de jovens:

    • Inicialmente considera o paciente um doente fisicamente e emocionalmente.
    • Encaixado no DSM-IV e CID-10.

    • O foco do tratamento é na dependência e no ensinamento de habilidades sociais para posteriormente retornarem à sociedade.

    • Baixo nível de recuperação.
  • No Projeto Jovem baseado na experiência Vila Serena e Chestnut:

    • Tratamento não é recuperação – 90 dias internação, 2 anos de acompanhamento.
    • O jovem é considerado desajustado porque não teve opções que despertasse interesse.

    • O processo é:  Motivar – Capacitar – Oportunidade.

    • Utilizamos:

      • 12 Passos.
      • 7 tipos de inteligência:

        • Lingüística.
        • Lógico-matemática.
        • Espacial.
        • Musical.
        • Cinestésica.
        • Interpessoal.
        • Intrapessoal.
      • Atividades como Alfabetização Visual.

    • A triagem considerada inverte o processo:

      • Há uma Oportunidade para esse cliente?
      • Temos como Capacitar?
      • Temos como Motivar?

    Diferencial de um programa tradicional hospitalar e o Projeto Jovem:

    • Hospitais focalizam principalmente em patologias de curta duração, doenças agudas enquanto dependência química (DQ) é crônica

    Implicações:

    • A estrutura de um hospital é hierárquica em que um especialista, geralmente um medico, se responsabiliza para a melhor resposta possível num nível físico para cada paciente, cada individuo.  Sabem o que fazer.

    • No caso de DQ, não há uma resposta individual devido à complexidade do comportamento do ser humano, mas uma tentativa coletiva de apresentar uma narrativa, um modelo, uma estória, uma espiritualidade, uma filosofia de vida alternativa sem drogas.  Não podemos oferecer uma resposta individual.  Manipular.  Sabemos o que não podem fazer.  Nesta situação:

    • Há o mínimo de hierarquia e estrutura possível, e todo o mundo fisicamente presente no centro se envolve no processo terapêutico.  Faz parte da comunidade, do grupão.

    • A comunidade, o grupão, não é um instrumento terapêutico, é o terapeuta.

    • Tenta evitar uma sensação de “nós” e “eles”, evitando um clima fechado e vigiado.

    • Por isto, tem que ser fisicamente separado do hospital, e o centro de decisão, poder, autoridade, tem que ser no centro, não no hospital.

    • Não há regulamentos, mas expectativas que estão sempre sendo questionadas por todos.

    • Os estudos sobre DQ indicam que internação para tratamento não significa recuperação.  Recuperação é uma função de preparação e acompanhamento depois de re-inserção na comunidade.  Pode ser difícil para um hospital focalizar com prioridade neste aspecto devido que sua estrutura aprimora internação.

    • Experiência indica que um modelo hospitalar de tratamento de DQ logo adota uma abordagem psiquiátrica e tem um baixo resultado estimado em 70% de retenção por três meses com um eventual 30% recuperando.