Educação
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O sistema de ensino formal que atende um grande número de crianças tem que ter um currículo fixo com uma metodologia pedagógica uniforme que é apropriada para alguns, mas não todos e isto é um dos motivos do grande índice de evasão escolar.
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Nem toda a criança tem a habilidade de sentar quieta num grupo de 25 ou mais, focalizar num assunto através de um texto em preparação para um exame e logo mudar o assunto para outro.
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Isto é freqüentemente interpretado como falta de interesse em aprender quando a própria natureza da criança é querer ler, escrever, brincar com números, conhecer o passado e especular sobre o futuro. O sistema formal de educação pode frustrar esses interesses normais.
Considerando essas observações e a metodologia do programa, Motivar, Capacitar e apresentar Oportunidade, tentamos modelar um programa para cada residente, respeitando duas presuposições que acreditamos se aplica à maioria dos residentes do Programa Jovem:
1) Tem tido uma experiência negativa na escola formal.
2) Uma das causas dessa experiência é que eles não têm habilidade com os primeiros dois tipos de inteligência, necessárias para ter sucesso na escola:
Lingüistica.
Lógico-matemática.
Pode ser que tenham mais habilidade com algum dos outros tipos de inteligência:
Visual-espacial
Musical
Corpóreo-cinestésica
Interpessoal
Intrapessoal
Para acessar uma explicação das sete inteligências, clicar aqui.
As atividades propostas, organizadas através das sete inteligências tenta levar em consideração a abordagem pedagógica Reggino Emilia que por sua vez é consonante com o pensamento de John Dewey, Jean Piaget, Vygotsky e Jerome Brunerenfatiza.
Essa metodologia enfatiza que os estudantes:
(Ver: http://en.wikipedia.org/wiki/Reggio_Emilia_approach)
Neste espírito e na medida do possível e necessário, e respeitando as normais legais, será elaborado um plano específico para cada residente. Isto pode ser participação numa escola formal, ou um plano que envolva aprendizagem informal. A legislação que prevê essa possibilidade:
LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996.
Art. 38. Os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que compreenderão a base nacional comum do currículo, habilitando ao prosseguimento de estudos em caráter regular.
§ 1º Os exames a que se refere este artigo realizar-se-ão:
I - no nível de conclusão do ensino fundamental, para os maiores de quinze anos;
II - no nível de conclusão do ensino médio, para os maiores de dezoito anos.
§ 2º Os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos educandos por meios informais serão aferidos e reconhecidos mediante exames.
Portanto não é necessário freqüentar um curso supletivo numa escola, basta que os maiores de 15 anos passem num exame para o reconhecimento da escolaridade fundamental. Qualquer pessoa maior de 15 anos pode realizar os exames em nível de eliminação de áreas e de conclusão que são realizadas nas escolas da rede estadual, e o candidato aprovado em todas as áreas de conhecimento que constituem o elenco do Ensino Fundamental recebe o respectivo Certificado de Conclusão de Ensino. Para o Ensino Médio, a idade é de 18 anos.(Portaria Conjunta Cenp/Drhu Nº 01/2001)
Porém, na realidade, cada caso tem que ser elaborado em conjunto com a escola no local em que o residente mora.
Abordagem Reggio Emilia:
Recentemente uma metodologia de ensino nível primário procedente de Itália tem chamado muita a atenção de educadores, e tem muito que pode ser adaptado para o ensino de jovens que não se adaptam bem ao sistema de escola formal tradicional. Alguns dos seus princípios:
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A criança é o elemento central da educação.
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A criança deve ter algum nível de controle sobre a direção do seu aprendizado, que precisa ter sentido para ela.
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As crianças devem aprender através de experiências que envolvam movimentação, tato, audição e visão.
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As crianças devem ter infinitas maneiras e oportunidades de se expressar, incluindo desenho, escultura, teatro, escrita etc.
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O aprendizado deve ser construído cooperativamente e criativamente, por projetos, exploração e resolução de problemas.
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Deve ser garantido um espaço de liberdade para a ocorrência de erros.
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O currículo é aberto e indeterminado, montado a partir do mundo das crianças.
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Os professores devem ter autonomia e liberdade para a improvisação, sem a imposição de programas, atividades etc.
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Os pais devem participar ativamente da educação dos filhos, incluindo a formulação das políticas nas escolas e a elaboração dos currículos.
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A educação deve continuar fora da escola, ou seja, deve ser comunitária.
Adaptada de: http://blog.joaomattar.com/2008/05/09/ead-reggio-emilia/
Uma opção a ser considerado:
Pagando Estudantes para Aprender
Conceito: Quando um estudante completa uma série de competências, é diretamente recompensado com dinheiro.
Justificativa:
- A escola e atividades para ganhar dinheiro são metas fundamentais na reinserção social depois do tratamento interno.
- Compensando estudantes para aprender técnicas pode ser uma maneira de incentivar a estudar.
- O conceito é largamente utilizado nos Estados Unidos, para adolescentes de todos os níveis.
- O governo no Brasil paga às famílias prêmios quando tem filhos de 16 e 17 anos matriculados.
- A sociedade sempre investiu em apoiar o custo da escola como um meio de preparar cidadãos para exercer funções construtivas.
- Porém, a evasão escolar no Brasil fica em volta de 40% para adolescentes por que
- Não percebe vantagem no seu futuro,
- Não tem oportunidade de participar,
- Têm experiências negativas,
- Faltam requisitos para acompanhar a matéria,
- Precisam trabalhar para ganhar dinheiro para a família.
Funcionamento: Os estudantes são apresentados com competências em quatro áreas, e quando sentem que tem domínio, testam:
- Matemática.
- Português.
- Informática.
- Leitura
Tutores:
- Professor da escola.
- Professor do centro de tratamento.
- Pais.
- Voluntários.
Administração:
- Fornecimento de competências dentro dos Parâmetros e Curriculares Nacionais (PCNs):
Custos:
- Órgão educacional administrativo.
- Máximo custo por estudante por semana: R$ 100.
Financiamento:
- Instituição patrocinadora.
- Governo.
- Empresas de informática.
- Fundações educacionais.
Valor terapêutico:
- São inseridos na realidade da comunidade, estudando e ganhando.
- Matéria é apresentada em pequenos blocos ou competências progressivas e assim parece fácil.
- Estão valorizando estudar.
- Estão ganhando dinheiro, contribuindo para a família e criando respeito na comunidade.
- Quando testado para uma competência, é testado para a presença de drogas.
- Substitui o ganhar dinheiro vendendo drogas.
- Contribui para a sustentação da família.
- Mantém contato com a equipe terapêutica.
John E. Burns, PhD
Setembro, 2009