Manual Projeto Jovem - 24/02/10
 

Conceito de Dependência Química

Para atender a finalidade deste manual, a definição do conceito de dependência química é de fundamental importância uma vez que o projeto baseia sua metodologia nesse conceito. 

Utilizamos a definição adaptada do Joint Committee to Study the Definition and Criteria for the Diagnosis of Alcoholism do National Council on Alcoholism and Drug Dependence e a American Society of Addiction Medicine, de 1990.

Fez­se necessário uma adaptação, porque a definição original refere­se somente ao alcoolismo. O projeto trata dependência de qualquer substância química lícita ou não que modifique o humor ou as emoções. Incluindo, mas não se limitando ao álcool, cafeína, nicotina, narcóticos, alucinógenas, farmacêuticas, inalantes ou maconha. 

Assim sendo, como denominação genérica, a palavra utilizada nesse manual é dependência química.

Dependência química é uma:

  • Doença: significa uma incapacidade involuntária. Representa a soma dos fenômenos anormais manifestados por um grupo de indivíduos. Esses fenômenos estão associados a um conjunto específico de características em comum pelas quais esses indivíduos diferem do normal, e os colocam em desvantagem.

  • Doença primária: refere­se à natureza da dependência química como uma entidade patológica além de separada de outros estados patofisiológicos que podem estar associados a ela. Primária sugere que dependência química não é um sintoma de uma doença latente.

  • Uma doença crônica. Caracteriza­se por um contínuo ou periódico enfraquecimento do controle, pela obsessão, ou uso das substâncias psicoativas, apesar de conseqüências adversas e distorções na maneira de pensar, principalmente a negação.

  • Uma doença progressiva e fatal. Significa que a doença persiste com o passar do tempo e que as mudanças físicas, emocionais e sociais costumam ser cumulativas e podem progredir com a ingestão contínua de substâncias psicoativas.

A Associação Americana de Psiquiatria, no seu Diagnostic and Statistic Manual - IV (1994) estabeleceu os seguintes critérios para diagnóstico de dependência química:

Um padrão de uso descontrolado, levando a um comprometimento clínico e/ou emocional significativo, manifestado por 3 ou mais dos ítens abaixo, ocorrendo em qualquer tempo no último período de 12 meses:

1) Tolerância, definido por um dos abaixo:

A - Necessidade de quantidades significativamente aumentadas para alcançar a intoxicação ou efeito desejado.

B - Efeito acentuadamente diminuído com o uso continuado da mesma quantidade de substância.

2) Síndrome de Abstinência, manifestada por um dos abaixo:

A - Apresenta síndrome de abstinência característica da substância.

B - A mesma substância (ou uma estreitamente relacionada) é usada para aliviar ou evitar os sintomas.

3) A substância é freqüentemente usada em maiores quantidades ou por um período de tempo mais longo do que inicialmente planejado.

4) Há um desejo constante ou esforços mal sucedidos de interromper ou controlar o uso da substância.

5) Um período de tempo muito grande é dispensado em atividades necessárias para obter substância (exemplo: visitar muitos médicos ou dirigir longas distâncias), usar a substância (exemplo: acender um cigarro atrás de outro), ou recuperar-se dos seus efeitos.

6) Atividades sociais, recreativas ou de trabalho são abandonadas ou reduzidas por causa do uso da substância.

7) O uso da substância é mantido apesar da noção de ter um problema físico ou psicológico, persistente ou recorrente, causado ou exacerbado pelo uso da substância (exemplo: uso continuado de cocaína apesar de reconhecer que a depressão é conseqüência do uso ou continuar a beber apesar de reconhecer que a úlcera piora com o consumo do álcool.


A aplicação dessa definição e critério à adolescentes neste projeto é detalhadamente apresentado no documento anexo: "Critérios para Admissão de Adolescentes Portadores de Dependência Química". Clicar aqui para abrir esse documento.