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Pós-tratamento
O conceito:
- O termo pós-tratamento é largamente utilizado no campo de tratamento de dependência química, apesar de não expressar bem o processo.
- Tratamento não é recuperação, ou seja, um período de internação ou de tratamento ambulatorial é somente uma parte do processo de recuperação, porque recuperação é um processo, não um evento.
- De fato, como foi recentemente estabelecido em dois artigos de profissionais de dependência, o mais importante para garantir sobriedade não é a fase formal de tratamento, mas a fase de pós-tratamento, com a inserção para sociedade. Clicar para ler esses artigos em inglês: "With a Little Help from my Friends: The Mobilization of Community Resources to Support Long-term Addiction Recovery" e "Recovery Management and Recovery-oriented Systems of Care: Scientific Rationale and Promising Practices".
- Como foi esclarecido no item acima, Metodologia, apesar da ordem cronológica de tratamento é Motivar, Capacitar e oferecer Oportunidade, o item Oportunidade, ou reinserção na sociedade num contexto que permite estabelecer uma vida saudável e segura, é o maior fator para estabelecer uma sobriedade.
Para criar a maior probabilidade do residente conseguir uma oportunidade viável:
- Só é aceito o residente em tratamento interno ou ambulatorial se essa possibilidade provier de uma oportunidade viável.
- Durante o período de tratamento formal o processo focaliza em capacitar o residente para melhor aproveitar a oportunidade.
- Desenvolver um Plano do Futuro realista que inclui a possibilidade de participação nos grupos de mutua-ajuda. Clicar aqui para ver uma exposição do relacionamento entre tratamento e grupos de mutua-ajuda.
- Na reinserção, observa-se que há uma sintonia entre a oportunidade e o residente.
- Acompanhar e diretamente encorajar o residente no processo de reinserção por dois anos e se tiver problemas, reinternar.
O “Lugar” de Pós-tratamento:
- O conceito filosófico de “lugar”, distinguido de “espaço” ou “tempo” tem uma longa e profunda discussão entre os filósofos, começando com Aristóteles, Platão, Plotino, Descartes, Spinoza e hoje, Edward S. Casey.
- O lugar onde o residente é colocado depois da fase de internação, é essencial para sua recuperação, e isto foi notado nos capítulos sobre Metodologia e Resumo deste manual e elaborado longamente no documento “Recovery Management and Recovery-oriented Systems of Care: Scientific Rationale and Promising Practices”, anexo.
- Qualquer pessoa que não tem um lugar para morar pode sentir saudades, desorientação, depressão e desespero.
- Onde uma pessoa mora e como chegou lá pode definir quem é.
- A imaginação focaliza no futuro.
- Memória vê o passado.
- Lugar define o que é aqui e agora.
- Perder o lugar de morar é perder sua história e estória, e ao mesmo tempo, afastar de um lugar pode separar a pessoa de uma história ou estória indesejável. As implicações de colocar a pessoa num novo lugar precisam ser cuidadosamente articulada e considerada.
- Como vivemos numa cultura agilizada por tecnologia em que “tempo” e “espaço” são considerados mais importantes do que “lugar”, neste projeto muita atenção tem que ser dedicada ao lugar onde o residente será colocado após a fase de internação.
Projeto para acompanhamento por tecnologia de informática:
- Na medida em que utilizamos tecnologia de informática em pós-tratamento, temos uma maior possibilidade de manter o interesse do residente, ensinar habilidades úteis no mercado e mantemos o contato necessário para aumentar a possibilidade de recuperação.
- Um pequeno computador que pode ser fornecido aos residentes na fase do pós-tratamento para demonstrar maturidade. Existem modelos econômicos, duráveis e
com configurações e capacidades completas como:
http://www.mpccorp.com/ed/store/notebooks/product_detail/txtbook.html. Um pequeno computador desta natureza pode ter diversas utilidades:
- Ter posse de um computador, pode criar uma sensação de responsabilidade e controle de seu destino.
- Identificar a presença do residente em qualquer lugar utilizando uma aplicação que incorpora GPS, como http://www.ravewireless.com/. Ao mesmo tempo permite
o residente comunicar-se imediatamente com o centro se estiver numa situação perigosa.
- Esse pequeno computador pode ser utilizado como meio de aprendizagem online. Uma vez identificada a área de interesse, a matéria, experiências e contatos podem ser enviados através de um simples software: http://www.moodlerooms.com/. Sendo interativo, um currículo pode ser elaborado para cada residente e acompanhado através deste software. Existem orientações disponíveis online que podem ajudar a organizar e manter a qualidade destes cursos online:
http://www.qualitymatters.org/
- Finalmente, é possível organizar vídeos conferências utilizando software simples, e assim cada participante aparece na tela de todos. Ver: www.tandberg.com Isto
pode ser utilizados em sessões de pós-tratamento e para conduzir aulas educativas para um grupo. As conferências são gravadas e podem ser utilizadas ou repetidas diversas vezes. Isto é útil pois sessões de pós-tratamento geralmente terminam com cada participante identificando uma meta da semana, assim, a próxima sessão pode começar com uma revisão das metas da última sessão.
Projeto para acompanhamento através de um Celular para Recuperação:
- Está sendo elaborado um programa por um engenheiro brasileiro de informática com longa experiência em empresas fornecedoras de serviço de comunicação por celular, e o departamento de comunicação e tecnologia em informática da Brown University nos Estados Unidos, um projeto que visa fornecer um simples telefone celular para cada adolescente que termina a fase de internação para ser utilizado durante a fase de pós-tratamento.
- Esse projeto visa total controle sobre o uso e conteúdo do telefone pela equipe de pós-tratamento do centro de recuperação, não a empresa celular que somente fornecerá o serviço básico.
- Esse aparelho:
- Permitirá ligações com a equipe de tratamento e vice versa.
- Permitirá ligações entre os participantes, talvez numa sala de chat.
- Será utilizado para agendar contatos e visitas.
- Efetuará ligação em caso de emergência.
- A equipe de pós-tratamento irá:
- Controlar acesso ao serviço.
- Monitorar todas as ligações.
- Anotar qualquer mudança no processo terapêutico anotado no arquivo do adolescente.
- Gravar todo o movimento no sistema.
Pos-tratamento em programas tradicionais e Projeto Jovem
Atividade |
Programas tradicionais |
Programa Jovem
Recuperação Assertiva |
Quem recebe pós-tratamento? |
Somente clientes que completam fase de internação. |
Todos os clientes incluindo os que abandonam e os que são desligados administrativamente. |
Responsabilidade para manter contato? |
O cliente. |
A equipe de tratamento. |
Periodicidade e duração do contato? |
Reunião semanal oferecida por um ou dois anos. |
Contato diário durante os primeiros 90 dias, e acompanhamento por até 5 anos utilizando todos os meios de comunicação. Cliente ajuda a definir meios de comunicação. |
O plano de pós-tratamento? |
Definido pelo conselheiro. |
Opções apresentadas ao cliente que define o plano. |
Encaminhamento para grupos de apoio? |
Encorajado a participar de um grupo e adquirir um padrinho. |
Cliente encaminhado para grupo apropriado e sua participação é acompanhada. |
Comunicação? |
Dentro do grupo de pós-tratamento. |
Diversos contatos: grupos, visitas, telefone e e-mail. |
Local do contato? |
No grupo de pós-tratamento e no centro de tratamento. |
Contato no local onde mora, estuda e trabalho. |
Resposta perante relapso? |
Desapontamento e convite para internar. |
Re-internação imediata. |
Atitude da equipe na readmissão? |
Culpa e repetição do programa de tratamento. |
Acolhido, reafirmação de progresso e reformulação do plano de tratamento. |
Roteiro para ajudar focalizar a comunicação quando visitando entidades que podem auxiliar com a fase de pós-tratamento:
Estabelecer expectativas antes:
Aceitar/receber residentes?
O que temos para oferecer?
Compartilhar experiências?
Pedir recursos?
Apoio educacional, fisico, moral, moradia?
Introdução:
Como chegar a esse contato.
O que é o PJS.
O que precisamos.
O que entendemos do grupo sendo visitado - site no Internet.
Entrevista:
Como funciona essa obra?
Finalidade?
Recursos?
Dificuldades?
Fechamento:
Como podemos ajudar?
Temos alguma interesse em comum?
Próximos passos?
Estabelecer metas e responsabilidades.
Sugestão para outro contato?
Sugestões para desenvolver elementos para apoiar o pós-tratamento, ou tratamento continuado:
Elementos para manter estabilidade e interesse:
-
Ajuda de custo em dinheiro.
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Ajuda de custo para família.
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Orientação junto ao Poupa Tempo.
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Cesta Básica.
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Vale-transporte.
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Uniforme.
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Assistência Médica/Odontológica.
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Estágio/emprego.
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Alfabetização supervisionada.
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Exames toxicológicos.
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Assessoramento em caso de recaída.
Finalidade:
- Inserir o adolescente no sistema social de se sustentar com seu próprio esforço. Não é paternalismo
Tratamento não é recuperação:
- Estruturando a fase de tratamento continuado, aumenta a probabilidade de retenção no programa e recuperação.
- Permite que a fase de internação seja mais focalizado facilitando triagem.
- Modalidade pioneira.
Empresa:
- Contribuir com um salário minimo de R$ 500 por adolescente por mês:
Ajuda custo (R$ 50 X 4): R$ 200
Cesta básica: R$ 100.
Vale transporte: R$ 200
- Voluntários da empresa servem como mentores.
- Serve a área geográfica da empresa - imagem.
- Treinar futuros funcionários.
- Prevenção ao uso de drogas.
- Tratamento de filhos de empregados.
- Parceria com o Hospital Samaritano.
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