Manual Projeto Jovem - 24/02/10
 

Pós-tratamento

O conceito:

Para criar a maior probabilidade do residente conseguir uma oportunidade viável:

  • Só é aceito o residente em tratamento interno ou ambulatorial se essa possibilidade provier de uma oportunidade viável.

  • Durante o período de tratamento formal o processo focaliza em capacitar o residente para melhor aproveitar a oportunidade.

  • Desenvolver um Plano do Futuro realista que inclui a possibilidade de participação nos grupos de mutua-ajuda. Clicar aqui para ver uma exposição do relacionamento entre tratamento e grupos de mutua-ajuda.

  • Na reinserção, observa-se que há uma sintonia entre a oportunidade e o residente.

  • Acompanhar e diretamente encorajar o residente no processo de reinserção por dois anos e se tiver problemas, reinternar.

O “Lugar” de Pós-tratamento:

  • O conceito filosófico de “lugar”, distinguido de “espaço” ou “tempo” tem uma longa e profunda discussão entre os filósofos, começando com Aristóteles, Platão, Plotino, Descartes, Spinoza e hoje, Edward S. Casey.

  • O lugar onde o residente é colocado depois da fase de internação, é essencial para sua recuperação, e isto foi notado nos capítulos sobre Metodologia e Resumo deste manual e elaborado longamente no documento “Recovery Management and Recovery-oriented Systems of Care: Scientific Rationale and Promising Practices”, anexo.
  • Qualquer pessoa que não tem um lugar para morar pode sentir saudades, desorientação, depressão e desespero.
  • Onde uma pessoa mora e como chegou lá pode definir quem é.
  • A imaginação focaliza no futuro.

  • Memória vê o passado.

  • Lugar define o que é aqui e agora.
  • Perder o lugar de morar é perder sua história e estória, e ao mesmo tempo, afastar de um lugar pode separar a pessoa de uma história ou estória indesejável.  As implicações de colocar a pessoa num novo lugar precisam ser cuidadosamente articulada e considerada.

  • Como vivemos numa cultura agilizada por tecnologia em que “tempo” e “espaço” são considerados mais importantes do que “lugar”, neste projeto muita atenção tem que ser dedicada ao lugar onde o residente será colocado após a fase de internação.

Projeto para acompanhamento por tecnologia de informática:

  • Na medida em que utilizamos tecnologia de informática em pós-tratamento, temos uma maior possibilidade de manter o interesse do residente, ensinar habilidades úteis no mercado e mantemos o contato necessário para aumentar a possibilidade de recuperação.

  • Um pequeno computador que pode ser fornecido aos residentes na fase do pós-tratamento para demonstrar maturidade.   Existem modelos econômicos, duráveis e
    com configurações e capacidades completas como:
    http://www.mpccorp.com/ed/store/notebooks/product_detail/txtbook.html
    .  Um pequeno computador desta natureza pode ter diversas utilidades:

    • Ter posse de um computador, pode criar uma sensação de responsabilidade e controle de seu destino.

    • Identificar a presença do residente em qualquer lugar utilizando uma aplicação que incorpora GPS, como http://www.ravewireless.com/.  Ao mesmo tempo permite
      o residente comunicar-se imediatamente com o centro se estiver numa situação perigosa.


    • Esse pequeno computador pode ser utilizado como meio de aprendizagem online.  Uma vez identificada a área de interesse, a matéria, experiências e contatos podem ser enviados através de um simples software: http://www.moodlerooms.com/.  Sendo interativo, um currículo pode ser elaborado para cada residente e acompanhado através deste software.  Existem orientações disponíveis online que podem ajudar a organizar e manter a qualidade destes cursos online:
      http://www.qualitymatters.org/


    • Finalmente, é possível organizar vídeos conferências utilizando software simples, e assim cada participante aparece na tela de todos.  Ver: www.tandberg.com  Isto
      pode ser utilizados em sessões de pós-tratamento e para conduzir aulas educativas para um grupo.  As conferências são gravadas e podem ser utilizadas ou repetidas diversas vezes.  Isto é útil pois sessões de pós-tratamento geralmente terminam com cada participante identificando uma meta da semana, assim, a próxima sessão pode começar com uma revisão das metas da última sessão.

Projeto para acompanhamento através de um Celular para Recuperação:

  • Está sendo elaborado um programa por um engenheiro brasileiro de informática com longa experiência em empresas fornecedoras de serviço de comunicação por celular, e o departamento de comunicação e tecnologia em informática da Brown University nos Estados Unidos, um projeto que visa fornecer um simples telefone celular para cada adolescente que termina a fase de internação para ser utilizado durante a fase de pós-tratamento.

  • Esse projeto visa total controle sobre o uso e conteúdo do telefone pela equipe de pós-tratamento do centro de recuperação, não a empresa celular que somente fornecerá o serviço básico.

  • Esse aparelho:

    • Permitirá ligações com a equipe de tratamento e vice versa.

    • Permitirá ligações entre os participantes, talvez numa sala de chat.

    • Será utilizado para agendar contatos e visitas.

    • Efetuará ligação em caso de emergência.

  • A equipe de pós-tratamento irá:

    • Controlar acesso ao serviço.

    • Monitorar todas as ligações.

    • Anotar qualquer mudança no processo terapêutico anotado no arquivo do adolescente.

    • Gravar todo o movimento no sistema.

Pos-tratamento em programas tradicionais e Projeto Jovem

Atividade

Programas tradicionais

Programa Jovem
Recuperação Assertiva

Quem recebe pós-tratamento?

Somente clientes que completam fase de internação.

Todos os clientes incluindo os que abandonam e os que são desligados administrativamente.

Responsabilidade para manter contato?

O cliente.

A equipe de tratamento.

Periodicidade e duração do contato?

Reunião semanal oferecida por um ou dois anos. 

Contato diário durante os primeiros 90 dias, e acompanhamento por até 5 anos utilizando todos os meios de comunicação.  Cliente ajuda a definir meios de comunicação.

O plano de pós-tratamento?

Definido pelo conselheiro.

Opções apresentadas ao cliente que define o plano.

Encaminhamento para grupos de apoio?

Encorajado a participar de um grupo e adquirir um padrinho.

Cliente encaminhado para grupo apropriado e sua participação é acompanhada.

Comunicação?

Dentro do grupo de pós-tratamento.

Diversos contatos: grupos, visitas, telefone e e-mail.

Local do contato?

No grupo de pós-tratamento e no centro de tratamento.

Contato no local onde mora, estuda e trabalho.

Resposta perante relapso?

Desapontamento e convite para internar.

Re-internação imediata.

Atitude da equipe na readmissão?

Culpa e repetição do programa de tratamento.

Acolhido, reafirmação de progresso e reformulação do plano de tratamento.





Roteiro para ajudar focalizar a comunicação quando visitando entidades que podem auxiliar com a fase de pós-tratamento:

Estabelecer expectativas antes:
Aceitar/receber residentes?
O que temos para oferecer?
Compartilhar experiências?
Pedir recursos?
Apoio educacional, fisico, moral, moradia?

Introdução:
Como chegar a esse contato.
O que é o PJS.
O que precisamos.
O que entendemos do grupo sendo visitado - site no Internet.

Entrevista:
Como funciona essa obra?
Finalidade?
Recursos?
Dificuldades?

Fechamento:
Como podemos ajudar?
Temos alguma interesse em comum?
Próximos passos?
Estabelecer metas e responsabilidades.
Sugestão para outro contato?


Sugestões para desenvolver elementos para apoiar o pós-tratamento, ou tratamento continuado:

Elementos para manter estabilidade e interesse:

  • Ajuda de custo em dinheiro.
  • Ajuda de custo para família.
  • Orientação junto ao Poupa Tempo.
  • Cesta Básica.
  • Vale-transporte.
  • Uniforme.
  • Assistência Médica/Odontológica.
  • Estágio/emprego.
  • Alfabetização supervisionada.
  • Exames toxicológicos.
  • Assessoramento em caso de recaída.

 

Finalidade: 

  • Inserir o adolescente no sistema social de se sustentar com seu próprio esforço.  Não é paternalismo


Tratamento não é recuperação:

  • Estruturando a fase de tratamento continuado, aumenta a probabilidade de retenção no programa e recuperação.
  • Permite que a fase de internação seja mais focalizado facilitando triagem.
  • Modalidade pioneira.


Empresa:

  • Contribuir com um salário minimo de R$ 500 por adolescente por mês:

Ajuda custo (R$ 50 X 4):    R$ 200
Cesta básica:                     R$ 100.
Vale transporte:                 R$ 200

  • Voluntários da empresa servem como mentores.
  • Serve a área geográfica da empresa - imagem.
  • Treinar futuros funcionários.
  • Prevenção ao uso de drogas.
  • Tratamento de filhos de empregados.
  • Parceria com o Hospital Samaritano.