Manual Projeto Jovem - 24/02/10
 

Premissas Filosóficas

Prefácio:

Adolescentes são vistos como taciturnos, rebeldes, promíscuos, imaturos, agressivos e preguiçosos. Seu comportamento tem piorado com a entrada do século vinte e um.  De fato, a maioria das pessoas jovens não têm nenhuma destas características censuráveis.  Adolescentes sempre foram estigmatizados como são hoje e é largamente aceito que isto seja “natural” para os adolescentes estarem nesta fase “difícil” da vida.  Mas foi o mundo dos adultos que criou o mundo da adolescência e o mundo dos adultos está descobrindo que é difícil conviver com que criou. (Graham, Philip, The End of Adolescence, Oxford Medical Publications, 2004.)

Filosofia resumida:

A filosofia em que baseia o Projeto Jovem está sempre em fluxo, pragmática, refletindo o que funciona, e no momento pode ser resumido:

O adolescente dependente é um ser humano a ser incentivado, não um paciente a ser medicado.

Filosofia não resumida:

Filosofia não tem fim porque sempre tem mais um "porquê", e mais um "ponto de vista", mas juntamos comentários filosóficos relacionados ao tratamento de dependência química que vai desde os 12 Passos até depressão, incluindo teologia da ecologia, beleza/justiça e comentários de Arnaldo Jabour, Albert Einstein, Gregory Bateson, James Hillman e Viktor Frankl.

Colocamos esses comentários num documento separado que tem 10 páginas e sugerimos o download e impressão para facilitar leitura e reflexão. Para acessar esse documento clicar aqui.

Teoria dos Jogos - Game Theory

Game Theory ou Teoria dos Jogos é um disciplina de matemática teórica que começou com a simples aplicação da matemática aos jogos e situações entre dois ou mais jogadores em que elementos de estratégia e sorte estão presentes.

Teoria dos Jogos tenta estabelecer o máximo de eficiência com o mínimo de risco para cada jogador, e isto é conhecido como fator maximini.

Em nosso caso os jogadores são o adolescente e a droga psicoativa que levantam perguntas como:

  • Qual é a dinâmica de uma decisão que resulta em pouco prazer por curto prazo e muito prejuízo ou incerteza por longo prazo?

  • Autocontrole durante um intervalo de tempo é, predominantemente,  influenciado por riscos percebidos no momento (present-biased preferences) ou por riscos que possam ocorrer no futuro (awareness of future self-control problems)?
     
  • Até que ponto a justificativa de uso é consistente ou aleatória  e quando?  A curiosidade ou desejo de usar será no mesmo lugar e na mesma hora?
      
  • Pessoas com muitas informações sobre substâncias psicoativas (sophisticate) têm mais probabilidade de desenvolver adicção do que os inocentes (naifs) que têm poucas informações?

Devido a complexidade do ser humano, esses princípios são limitados para aplicações práticas a nível clínico. Porém são perguntas que ajudam o residente e conselheiro a melhor articular seu uso, e com experiência podem ajudar melhor formular estratégias para evitar o uso de drogas quando o residente volta para sociedade.

Para uma exposição mais abrangente do teoria dos jogos e uso de drogas psicoativas, clicar aqui.

Brincar

  • Recuperação de dependência de substancias psicoativa exige uma mudança de perspectiva, crenças, valores ou filosofia pessoal.  Enfim, o que tem não está funcionado.

  • Essa mudança vai além do racional ou intelectual que mantém a visão atual não funcional.

  • A mudança vem através da imaginação, fantasia ou criatividade que é estimulado brincando.

  • Brincar é definido como qualquer atividade ambígua e prazerosa sem uma finalidade definida.  (Dependendo da atitude ou perspectiva, qualquer atividade humana pode ser considerada lúdica.)

  • Apresentando as atividades no tratamento de dependência química no formato de brincar pode-se facilitar uma mudança de perspectiva, crenças, valores ou filosofia.

    (Sutton-Smith, B. (1997) e Batenson, G. (1972)).

    National Institute for Play